Vivendo a Bahia!

Nascida e criada em São Paulo capital, e há pouco mais de dois anos morando em Lauro de Freitas - BA. Resolvi criar esse blog para compartilhar as experiências, alegrias, diferenças, choques culturais, aventuras esportivas e conhecimentos que marcam essa mudança e adaptação. São histórias e curiosidades da nova rotina que tem seu tom de humor e vale a pena dividir. Isso é Brasil! Sejam bem vindos!!





domingo, 29 de junho de 2014

A chegada de Cauã - Relato do parto

Sábado, 21 de junho de 2014
Dia feliz! Completava 37 semanas de gestação, ou seja, o bebê poderia nascer a partir deste dia e já não seria considerado prematuro. O ideal seria ficar ainda mais 3 semanas na barriga.
O dia foi ótimo, comecei com um treininho leve, depois caminhada ... mais ou menos como andava minha rotina. Nas minhas caminhadas conversava muito com Cauã, e lembro de ter dito: Filhote, minha parte eu fiz, que foi mante-lo na barriga até agora. Daqui pra frente você decide quando vem pra cá. Só não imaginava que depois dessa conversa ele já tinha tomado sua decisão.


Por volta das 20h, fui tomar banho, enquanto o marido colocava umas mini pizzas no forno. Ao sair, senti um "jato quente" escorrendo entre as pernas. Fui olhar, tinha sangue e muita água, que começava a descer quando bem entendia, fora de meu controle. Os sinais eram claros. A bolsa havia rompido.

Desde que comecei a pensar no parto e após ler muito sobre o assunto, percebi que o parto normal seria o melhor para Cauã e para mim. Escolhi o CPN (Centro de Parto Normal) para receber Cauã. Como tive uma gravidez tranquila, fiz avaliação e aceitaram meu perfil, por ser considerada gestante de baixo risco, já que, não tive qualquer intercorrência na gravidez.

Acompanhada do marido e de meus pais, chegamos no CPN por volta das 22h, eu começava a ter cólicas leves.
Fui pra avaliação, fiz exame de toque e veio o banho de água fria. A médica disse que meu colo do útero estava fechado, ou seja, dilatação zero. Com a bolsa rota como eles dizem, não poderia esperar muito, e para eles era arriscado ficar com uma gestante que tinha acabado de completar 37 semanas.
E ouvi a seguinte frase: Desculpe minha querida, não podemos ficar com você. Vá para uma maternidade fazer uma cesária logo!
Poxa, meus planos de parto normal já foram por água abaixo sem nem tentar?

Fomos direto para a Maternidade Santa Maria do Hospital Português, que já era o meu "plano B".
Tentei não desanimar, afinal a chegada de Cauã era motivo de alegria.
Chegamos por volta das 23h, logo fui atendida na emergência. Falei pra médica sobre meu desejo de parto normal e o banho de água fria que levei no CPN.
Ela me examinou e disse: Seu trabalho de parto está iniciando agora, você está com 1cm, seu bebê está encaixado e poderá ter seu parto normal. Mas, sabe que terá que chegar a 10cm. Pode levar umas 12h. Você tem certeza?
Sem pensar respondi: Tenho!
A médica: Corajosa! Vou pedir sua internação. Faça muita caminhada pra acelerar o processo. Boa sorte! Nos vemos quando chegar a hora!
Uhuuuuuuuu! Teria meu tão sonhado parto normal.
Avisamos meus pais para irem pra casa descansar, que Cauã só chegaria no dia seguinte.
Marido e eu fomos para o quarto.
                                                Aguardando a internação

E aí começa a história...
A ordem era caminhar! Andei acompanhada do Alê pra lá e pra cá no corredor. As dores começaram a incomodar mais. Durante toda a gestação me preocupei com o preparo físico e psicológico para viver esse momento. Meu marido apoiou desde o começo e também teve que se preparar, afinal, não é fácil ver a pessoa que você ama berrando de dor e ficar calmo.
Achava que teria muita cólica, e até tinha um pouco, mas o que pegava mesmo era a tal dor na região do cóccix do osso se deslocando para preparar a passagem do bebê.
Ainda bem que existe intervalo entre as contrações, senão, seria impossível aguentar. Mas os intervalos diminuíram muito, chegou num ponto que eu andava até a porta do quarto, voltava até a cama e lá urrava, uivava e gritava de dor. Acho que por uns 30 segundos. Caminhava até a porta novamente....voltava pra cama, onde me debruçava pra não cair. Em todas as vezes, o Alê fazia massagem na região das costas que incomodava, incansável.
Lá pela 1:30... a brincadeira estava ficando insuportável, já que a dor era tão intensa que eu tinha a sensação que ia desmaiar. O andar todo já ouvia meus berros. E aí, tive meu momento de fraqueza. Pensei que não iria aguentar. Pedi pro Alê chamar as enfermeiras. Elas foram horríveis. Chegaram duas, já fui logo perguntando se num tinha um analgésico só pra amenizar um pouco as dores. Elas deram risada. Disseram: Você acha que está com dor agora? Você num viu nada, vai piorar muito ainda.
Eu alí me contorcendo de dor, e as duas querendo dizer que eu estava com frescura??? E ainda continuaram... pelo tempo você deve estar com 1,5cm, no máximo 2cm, tem muito o que gritar pela frente minha filha. Ué? Num foi você que quis assim? A médica não prescreveu nenhum medicamento.

Depois desse discurso, eu me ví totalmente desmotivada e pedi que chamassem a médica. Quando saíram, falei pro Alê: Mil desculpas marido, mas eu vou desistir, se ainda está no começo, não vou aguentar. Ele tentou me encorajar, mas respeitou minha decisão.
 A médica entrou. Como assim você quer desistir? Ah não, continuou ela, você chegou tão decidida, tão motivada, por que vai desistir aqui?
Eu disse: se ainda estamos no 1cm ou 2cm, não tenho condições...
Ela ainda tentou me motivar e resolveu fazer o toque. E a surpresa: 5cm!!!
Quantooooo?
Nem preciso dizer que foi o suficiente para o meu lado forte, mandar o fraco catar coquinho que estávamos no jogo de novo! E mais motivada do que nunca, voltei a caminhar. Ela disse: com 8cm, eu venho te buscar pra sala de parto. Uhuuuuuuuu, demorou!!!!
Pouco tempo depois a coisa ficou feia! kkkk Já não era mais o andar que participava dos meus berros e sim o prédio. Mas juro, uma dor muito, muito forte e indescritível. Só quem viveu sabe!!
Marido continuava incansável nas massagens, costumo dizer que ele foi minha "doula", fundamental para continuar firme em nosso propósito!
As 4h, entraram no quarto, achei que fossem me mandar calar a boca, porque a essa altura eu já tinha perdido a noção do que estava em volta, concentrada realmente em superar cada contração dolorosa. O Alê disse: Dá pra perceber que a dor aumentou, porque o volume da sua voz subiu absurdamente!
Mas aí veio a boa notícia: Já vão te levar!! Ufa!! Graças a Deus mais uma etapa vencida! Mais um motivo pra continuar!!  E nos intervalos das dores ainda brincava com marido... uhuuuuuuuuu Cauãzinho ta vindooooo!!! Estávamos curtindo o momento. Na verdade, todo o trabalho de parto, foi um ritual de passagem para uma nova fase da vida.
Descemos. Fomos recebidos na sala de parto por uma enfermeira muito gente boa, que me orientou a fazer exercícios na bola de pilates. Marido mantinha firme as massagens! Chegou o médico, não seria a mesma que me atendeu na emergência, mas já fui com a cara dele de primeira. Sabe aquela pessoa calma que te passa segurança? Estava tudo certo.
Novo exame de toque. 8cm! Obaaaaa! Poucas horas e Cauãzinho tá aí!
O médico disse pra continuar os exercicíos na bola que aceleraria bastante esse final.
Missão dada é missão cumprida! Num parei um minuto! A enfermeira até falava: Você pode parar um pouco pra descansar, afinal, terá que guardar forças pra hora H, não se desgaste tanto!
É que ela não conhece a pessoa aqui. Sangue no zóio!! kkkkk
Nessa fase, a orientação foi para ficar rebolando sentada na bola, tipo girando no bambolê, nos intervalos de contração. E na contração, empurrar a bola para baixo e fazer força (tipo a força de coco) aí sim era sofrido!
                                                  Aguardando a próxima contração

Ficamos mais de uma hora assim, e apesar de tudo foi delicioso.
 Nos deram privacidade, deixaram uma luz bem baixinha, ligaram o som com músicas internacionais românticas. Enquanto fazia os exercícios o Alê me massageava. Não trocávamos muitas palavras, mas nos olhávamos, trocávamos sorrisos, estávamos curtindo nossa passagem para a nova fase.
A enfermeira entrou e pediu que eu subisse na cama que o médico estava chegando pra examinar. Perguntei se eu poderia escolher a posição para expulsão. Mas ela disse que teria que ser na cama. Sem problemas.
Novo exame: quase 10cm! Aeeeeeee! Ele disse: Mais uns 30min. Continue fazendo força durante a contração. Nos intervalos relaxe, estamos no final, mas a parte mais difícil está por vir, preciso de você inteira!
Agora os intervalos eram maiores, já estava tão cansada que cochilava. proporcional às dores que quando vinham.... %$#¨&%#@*
A enfermeira me auxiliava na força, e ficava alí com a cara no gol pra ver se eu fazia certo. E dizia: Força na parte baixa, força de fazer coco! Issoooo, muuuuuuito bem!!! Tá chegando, vou chamar o Dr.
Ele apareceu e começaram a arrumar tudo pra receber Cauã. Disse que daria uma leve anestesia, que eu ainda sentiria tudo, mas iria me ajudar a fazer mais força e facilitar a saída de Cauã. Aceitei. Foram chamar o anestesista, e o médico saiu da sala.
Ficamos apenas com  enfermeira.
Ouvia uma moça gritando na sala ao lado, exatamente como eu, sabia o que ela estava sentindo. Mas de repente continuei berrando sozinha, ela se calou.
Meu corpo resolveu iniciar a fase expulsiva antes do médico chegar. Quero dizer, quando tinha contração, vinha uma vontade incontrolável de fazer força, mas o corpo pedia muita força mesmo, dava até ânsia de vômito...
A enfermeira acompanhava tudo e estimulava: Isso Fernanda, muito bom! Tá certinho! Força! Isso aí!
De repente o discurso dela mudou:
Pare Fernanda, Cauã vai sair!!! Segura aí, vou chamar o Dr!
Mas era meu corpo fazendo força sozinho, quem disse que eu conseguia parar? kkkkk
Alê e eu na sala. Imaginei que ia na raça mesmo, o anestesista não chegaria a tempo!
Intervalo de contração. Ufa! E agora? Cadê todo mundo? Na próxima ele vai nascer!
Contração vindo... entrou todo mundo, já me colocaram sentada o anestesista já me furou nas costas, deitei novamente. Foi o tempo de colocarem um ferro pra segurar e começou!
Força Fernanda! Dizia o médico, ele tá vindo!
Eu sentia ele saindo e sabia exatamente em que parte estava. Fiz uma hiperventilação, puxei o ar e prendi fazendo muita força. Na verdade toda força que eu tinha! Ouvia o médico dizendo: tá indo bem continue! Resolvi que só pararia quando Cauã saísse todo. Não queria que fosse sofrido pra ele!
Fiz tanta força que quando acha que não tinha mais forças, fazia mais força ainda! 
Cauã chegou às 6:31h com uma sala lotada de gente assistindo! Num sei da onde saiu tanta gente!
Soube que parto normal é raridade por lá, a mulherada chega pedindo cesária. Então quando acontece, vira sessão de cinema!! kkkk
A coincidência é que justamente nesse dia, seriam dois partos normais. Lembra que eu falei da moça gritando na outra sala? Então, soube que a guerreira estava em trabalho de parto desde às 13h do dia anterior, chegou a 9cm, mas o bebê dela fez o primeiro cocozinho ainda no ventre da mãe. E tiveram que fazer uma cesária de emergência. Por isso sumiu todo mundo e tive que segurar Cauã.

Colocaram Cauã imediatamente no meu colo. Não tenho palavras pra descrever tanta emoção desse momento.

Quando o cordão umbilical parou de pulsar, cortaram e começaram com os procedimentos nele.
Nessa hora a anestesia fez efeito, então não senti a retirada da placenta, assim como os pontinhos que tive que tomar nas partes. Não foi feita a episiotomia, então houve uma pequena laceração do tecido. Nada que não seja reparado.
A equipe me parabenizou por colaborar em todo o trabalho de parto, disseram que é raro não usar a ocitocina sintética pra acelerar, e isso foi possível pois fiz os exercícios o tempo todo.
O ritual terminou com a chegada do filhote. Além de Cauã, nasceu a mamãe Fê e o papai Alê.Fica na memória a lembrança desse dia incrível.
E como disse uma amiga, logo só ficará a lembrança boa, a parte da dor será esquecida rapidamente.

Hoje, exatamente uma semana depois, posso dizer que cada minuto dessa experiência valeu a pena.
Cauã, apesar de ter nascido pequeno, está super bem e ganhando peso.
Eu, estou praticamente com o peso normal (ganhei 13kg na gestação) com muito leite, sem cortes, sem dores.
Agora é só curtir o pequeno!

Agradecimentos
Em primeiro lugar, meu marido. Que viveu intensamente comigo cada fase da gestação e principalmente do parto. Nada seria possível sem seu apoio. Parabéns ao pai incrível que nasceu com essa história. Cada dia me apaixono mais por você!

Meus pais e família: Que em todos os momentos ficaram comigo, nas consultas de perfil, ultrassons, ida pra maternidade e que passaram a noite em claro aguardando notícias!
Ter vocês ao meu lado me encoraja pra encarar tudo na vida. Amo vocês!

As minhas amigas que acompanharam tudo, aconselharam, apoiaram e orientaram. Kaká e Dani 
Vocês são demais!!

ps: Me perdoem se tiver muitos erros de português, o sono ta tenso!! rsrsrs

Agora é recuperar o sono!




4 comentários:

Melina disse...

Caramba Fer! Que coragem! ! Me emocionei lendo. Parabéns, muita saúde para o Cauã e para toda essa "nova" família! Um grande beijo

PATRICIA FELISA disse...

que linda e emocionante a estoria de voces. , parabens ! eu tambem tive dois partos normais e hoje com minhas filhas ja adultas, recordei cada minuto dos meus partos ao ler seu depoimento. uma emocao indescritivel ne. Parabens !

Renata disse...

Fe,

Estou chorando de emoção! Triste por não poder estar perto de vocês e feliz demais pela chegada do Cauã. Sabia que você é super corajosa, mas fiquei impressionada com sua força e determinação! Parabéns para vc e Alê, que a alegria desse momento permaneça no coracão de vocês. Um grande beijo para o três.

Dart Araujo disse...

Nossa Fê vc é uma guerreira. Parabéns pelo parto normal. Aos Cuãzinho que vem chegando uma vida linda!!! E a família tudoooo de LINDOOOO!!!